27/12/11

Esta Rosa


Tanto ateus, como também racionais, fomos ensinados a ser exemplos e perfeitos em tudo. Ao custo da própria vida se preciso for. Uma indescritível fidelidade para consigo! Eu, ateu por consciência e por definição, vivo um paradoxo por não acreditar nos nocivos sofismas das religiões seguidas por meus antepassados, sangue do meu sangue. Se faz necessário pagar um alto preço, tão monstruoso, tão apavorante, capaz de lançar calafrios até mesmo em quem apenas me contempla a face.

Somos auscultados, mas não desistimos; perseguidos e não desistimos; rejeitados e não perdemos a doçura. Esta rosa precisa ser esmagada para exalar o seu perfume mais intenso. Que seja levada pelo vento, võe alto e espalhe sua fragancia.

Nada se compara a sensação de ser livre para consigo. Meu mundo é surreal; um encontro entre o físico e o fantástico. Essa é a minha realidade, o meu assombro, e tudo o que importa. Sozinho no cimo da montanha, tendo a fé e a devoção abaixo de mim - somente essa integridade me pertence!

Eu vivo cada dia como se ele fosse o último e desejando ardentemente que não o seja. Ética e amor ao distante são inevitáveis! Quando um homem perde todas as suas fantasias, encara a frio o que somos. Sem heróis, ilusões, desejos de recompensa. Ética e amor ao distante sem peso de consciência. Essa é a minha vida, essa é a minha história, essa é a minha arte. Não há direito a rascunho aqui. Tudo que traço fica pra posteridade.

Eu cresci na igreja. Minha avó se converteu ao protestantismo quando eu tinha dois anos e ela me levava com ela. Estudei em colégios cristãos (católicos e protestantes), fui zeloso para com meus dogmas ao ponto de dar meu primeiro beijo pouco antes de fazer 19 anos. Até cheguei a estudar Teologia e queria ser pastor. Mas algo estava errado e isso se tornou muito nítido quando fui estudar Teologia. Ao longo dos anos, antes de eu estudar Teologia muitas coisas me pareciam estranhas, mas eu evitava agir de acordo com a lógica e até me privava de seguir meus sentimentos para não ser infiel aos dogmas que eu havia aprendido. Estudando Teologia foi que tudo começou a fazer mais sentido. A questão não era a fé, os dogmas; as religiões são respaudadas no poder e dinheiro.

Me lembro quando eu tinha uns 15 ou 16 anos e tinha muitos problemas respiratórios. Um pastor com "dom de cura" convidou os doentes para subirem no púlpito e receberem oração. Eu fui lá. Depois que ele orou por mim me perguntou no microfone se eu estava curado, mas eu continuava sentindo dor e sem conseguir respirar direito. Foi o que respondi a ele, na frente de 3 mil pessoas. Ele disse, tenta respirar, e antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele disse "você está respirando muito bem, pode ir que deus te curou". Foi aplaudido e eu fui zombado depois por ter recebido o milagre pela fé dele, não pela minha. Milagre que de fato eu nunca recebi, continuo com problemas respiratórios até hoje. Depois, conversando com amigos de outras igrejas, me contaram sobre escândalos sexuais do tal pastor e que ele pagava pessoas pra se fingirem de doentes. Eu achava estranho, mas não queria deixar de acreditar no poder curador de deus. Só deixei realmente de acreditar quando estudei Teologia e entendi que tudo era apenas um espetáculo para enganar pessoas inocentes, esposas fragilizadas, e obter satisfação pessoal e financeira encima dessas pessoas.

Eu pregava o evangelho, sempre recebia convites e até ganhei uma bolsa de estudos pra estudar no USA. A bolsa eu recusei, já não queria mais participar dessas coisas. Todos me diziam que eu seria um grande pastor porque eu pregava muito bem, decorava versículos e tinha interesse especial pelos manuscritos da bíblia. Mas eu não queria mais, o evangelho é muito antinatural, prejudica a psiquê das pessoas e às vezes até fisicamente. Meu tio por consideração certa vez pregou em uma igreja que mulher podia corta cabelo e usar calça, quase morreu linchado por causa disso e num mais pisou numa igreja. A igreja fermenta o ódio, e ao mesmo tempo cria uma anarquia nos sentidos do ser humano por fazer com que ele renegue seus instintos naturais benéficos como autopreservação e até mesmo fazer amor ou sexo como se diz vulgarmente nas igrejas pois demonizam o ato em si. Eu sou um dos que foram prejudicados. Hoje, ainda tenho depressão por causa da anarquia que o evangelho criou em meu sentidos. Segundo psiquiatras eu terei que tomar remédio pra depressão o resto da vida, tenho depressão desde os 15 anos.

Eu aprendi muito com Jesus e livros de Teologia. Ele (se é que existiu porque as provas que existem foram forjadas) dava a outra face para quem o feria. Quem observasse algo assim sentiria pena dele e veria o agressor como um monstro. Mesmo que Jesus tenha destruído coisas no templo como em João capítulo 2 a apartir do versículo 14 ou xingando judeus de filhos do diabo como em João 8 .44. Fato é que ele era um grande manipulador de massas e eu passei a vida inteira lendo a bíblia. O peso na consciência, entendi cada vez melhor, faz com que a pessoa culpada sinta-se na responsabilidade de recompensar quem ela ofendeu e assim doar mais para a igreja. Eu entendi tudo, mas não preguei tudo. Pregava assuntos que considerava menos nocivos e que não fossem prejudicar a vida das pessoas, não queria roubá-las usando o evangelho. Mas eu só tive essa consciência quando estudei Teologia, antes disso eu pregava tudo que a bíblia ensina e até distorcia textos para dizer que eles não se contradiziam.

Eu teria sido um grande pastor. Ganhado muito dinheiro às custas dos ignorantes e feito sexo com suas esposas por ocupar um lugar de destaque na igreja. Mas eu não podia fazer isso. Eu não podia fazer com que outras pessoas fossem enganadas tal como eu fui e sofri. Ainda tentei levar isso a diante como muitos amigos fizeram, tentei, preguei e pensei em ser pastor para desfrutar de tudo isso. Mas eu não tive coragem. Eu sei o que é ter a mente destruída pelo evangelho, sei o que é tomar chifres porque uma ex tinha casos com pastores. Ela nem me beijava, achávamos que era pecado, mas dormia com vários pastores e eu descobri. Eu a perdoei quando soube e pensei que ela poderia mudar, mas não aconteceu e hoje ela ainda vem atrás de mim mesmo ela tendo namorado.

A igreja serve mais é pra criar confusão, perseguir quem pensa diferente. Eu estava no seminário e um pastor me chamou pra tomar café em minha casa, ele tinha liberdade. Tomamos café e conversamos sobre meus questionamentos, ele disse que eu o lembrava Nietzsche porque segundo ele eu era questionador e poeta. Ele me perguntou se eu já havia lido Nietzsche, mas eu nunca tinha lido. Então fui ler e me encontrei revirando as páginas, decifrando as frases, atrás da literatura.

Hoje, tempos depois, eu me apego à Ciência. Sei que nunca terei uma vida normal por causa de todas as coisas nojentas e traumatizantes que vivenciei nas igrejas por onde preguei e freqüentei. Sempre terei que tomar remédios e ter acompanhamento psiquiátrico para saber conviver com isso. Mas estou livre e já posso voar. Meu mundo é surreal; um encontro entre o físico e o fantástico. Essa é a minha realidade, o meu assombro, e tudo o que importa. Sozinho no cimo da montanha, tendo a fé e a devoção abaixo de mim - somente essa integridade me pertence! A multiforme exuberância fantástica da natureza fui compreendendo cada vez melhor. Não quero mais outra vida. Eu encontrei a paz no seio da Ciência.